sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A BUSCA DE MIM

Procuro-me em mim
Descubro-me outra
Uma mulher nova,
Melhor, uma nova mulher
A semântica dá novos sentidos
Mas o sorriso dá novo alento.
Procuro o que resiste em mim
E contemplo a alegria de outrora
Sem saudosismos vãos,
Mas a alegria simples de saber-me viva, inteira, plena...
Encontro em mim a mulher que luta e conquista,
Mas se faz doce e submissa
E atriz que finge não ser, mas é....e gargalha...
Procuro-me na contemplação da lua,
No mar suave ao amanhecer,
No sol que surge se impondo.
Procuro-me e já não me encontro, eu mesma
Aquela que queria e queria e nunca se contentava
Agora há outra que continua querendo,
Mas sabe que já conquistou.
Procuro a mulher que arde no leito de amor.
E encontro uma menina capaz de amar sem sentir dor.
Rozana Pires

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

PRECONCEITO E DOR: DE QUEM É A CULPA?

Ainda me surpreendo comigo mesma quando me flagro assustada com certos atos de selvageria. Que bom!!! Fico muito, muito feliz por me saber humana. Sim. Só o estado de espanto é humano e me recuso a ser mera criatura que flutua entre a o ter e o ser. Nada! Quero, apenas, viver. Viver, no entanto, resume-se a surpreender, assustar, compreender, descobrir. E eu descubro, com espanto e horror, que o mundo ainda esconde surpresas postas em desalinho com o que se espera do homem da modernidade.
Alguns jovens entre 15 e 17 anos assustam o país ao espancarem, sem qualquer sentimento de piedade, rapazes que , supostamente, são gays. Mais de 4 contra um, apenas um. Acuado, humilhado, ferido no corpo e na alma. Não bastasse a intolerância do silêncio hipócrita de alguns, o grito em socos e pontapés. Os agressores são de classe média; aquela protegida por pais, leis, escolas. São os jovens que assistem, como se não prestassem atenção, à enorme demanda de crimes que se perpetuam e crescem por conta da impunidade. O fato é que “parece” que eles não prestam atenção, mas prestam sim e creem que podem também estar acima do bem e do mal. E eis a palavra de ordem: IMPUNIDADE.
Não tenho a receita para combater isso, muito menos me excluo da culpa nessa engrenagem da qual, mesmo relutando, faço parte. O fato é que esses meninos apostam nisso. Eles se perdem em seu mundo dourado e acreditam que NADA os molestará e deixam fluir o seu preconceito embutido e disfarçado. De onde trazem esse sentimento? Em que momento de suas recentes existências perceberam que ser diferente, é ruim, é pecado, é perigoso. Que modelos afinal eles seguiram? Sim, porque, como já tenho dito, palavras não educam, mas exemplos, sim.
É lamentável, doído mesmo, perceber que nós, adultos, pais e educadores, estamos falindo. Somos nós os exemplos deles. Somos os que os fazem acreditar que diversidade é algo que deva ser combatido com socos e pontapés e, talvez, com um “pouco de sorte”, com a morte. Ser negro, gay, nordestino ainda causa desejos de matar em alguns jovens neste “Brasilzão” de tantas misturas. Roubos, maus tratos contra crianças, estupros, fichas sujas, não.
Precisamos urgentemente rever nossos conceitos e posturas. Precisamos endurecer para que nossos meninos percebam que há um limite. Precisamos acreditar na Escola que escolhemos para nossos filhos e estabelecer uma parceria séria, em que valha mais a figura do educador e menos a mensalidade que se paga. Uma parceria que permita que eles sejam punidos quando se fizer necessário e que a Escola aí seja a lei, os pais, os que respeitam essa lei e seus filhos, massa a ser modelada para mandar para o mundo cidadãos melhores. Precisamos nos reinventar e ter a coragem de nos olharmos bem no fundo e enfrentar a certeza de que atos bárbaros, cometidos por jovens em tão tenra idade são de responsabilidade nossa, sim. Como pais, educadores, representantes políticos. Um homem, independente da sua condição social, não urina na rua porque esse ato esteja no seu DNA. Ele o faz porque, um dia, alguém (Mãe, avó, tia, pai...) o induziu a fazê-lo, tornando-se, assim, algo banal.
As autoridades buscaram grupos de Neonazistas, Skin Reads, Os Carecas, enfim...Buscaram culpados em redutos doentes e malcheirosos; buscaram culpados no óbvio! Quem sabe não tenha sido algum grupo terrorista, ou mesmo muçulmanos nas cores verde e amarela! Mas foi com constrangimento que a polícia anunciou: Não! Eram jovens de classe média, bem nascidos, com endereço fixo, pais vivos, boa escola e ...preconceituosos.
Portanto, fica aqui a minha reflexão diante de crime tão indefinível. Algo que revela um preconceito cruel, vil, doente. Plantado por quem? Quando? Como? Não sabemos, mas imaginamos. E dormirei agitada, mas, de certa forma, em paz, pois ainda estou assustada, indignada, enojada. Isso significa dizer que ainda há “gente” dentro de mim.
Rozana Pires
20-11-2010

domingo, 26 de setembro de 2010

CARTA PARA VOCÊ

"CADA UM DE NÓS CONSTROI A SUA HISTÓRIA
E CADA SER, EM SI, CARREGA O DOM DE SER CAPAZ
E SER FELIZ..."

Pois é, PESSOA, cada um de nós faz a própria história. Eu fiz a minha e creio que parte dela foi bem feita; a outra deixou a desejar. Por essa parte mal feita, pago o meu preço. No entanto, quero, num esforço sobrehumano e derradeiro, concluir esta parte que foi o que aprendi da vida. Agora, vejo que já está ficando muito tarde para remendar trapos e tecer novos tecidos. A vida passa, sou "envelhecente" e já não tenho ilusões ou tempo para ir corrigindo coisas erradas, mas quero VIVER, assim, devagarinho, saboreando cada momento, como se degustasse um bom vinho. Quero caminhar sem olhar para trás, sentindo o futuro que é daqui a pouco. Tentar não errar tanto, mas me permitir cometer erros sem culpa, pois viver é um desenhar sem borracha e os meus desenhos eu continuo traçando. NÃO vou mais ficar correndo atrás de ninguém para NADA. Nem para amar, nem para dar amor, pois até para dar amor, o outro precisa querer receber, né? Se alguém não aceita a forma como quero dar o meu, paciência! Por isso ponho aqui o meu amor por vc, pessoa, e deixo um pequeno legado em forma de conselhos. Lá vão alguns:

1) ACREDITE MAIS EM SI, em seu potencial, em sua capacidade para construir coisas. VC PODE MUITO MAIS DO QUE IMAGINA.

2) CUIDADO COM O QUE DIZ!!!! O segredo consiste em entender que as palavras têm força, poder e elas acabam se voltando contra nós, ou não. A escolhe é sempre nossa e tire Deus dessa culpa, ok?

3) APRENDA A PERDOAR!! Vc está sempre armado contra o mundo. Deixe isso para os pobres de espírito, infelizes.

4) CALMA!!! Eu corri tanto e hoje vejo que não precisava. Ficou um monte de coisas pelo caminho, espalhadas e inúteis. Já não servem mais para mim.

5) ACEITE AS PERDAS!!! Não temos nada nosso. Isso também faz parte de nossa história. Só quem parte cedo pode não vivenciar as perdas. Elas são sangue nas veias da vida.

6) CUIDE DE VC!!! Não só fisica, mas espiritualmente tb. Busque uma fé! É muito bom ter com quem dividir coisas.

Agora, uma pequena reflexão: O que lhe falta EXATAMENTE? Vc tem inteligência e FELICIDADE. Pois é, tem sim, mas não consegue enxergar. Só as verá, qdo já não a tiver. Aí estarão espalhadas pelo caminho que vc caminhou sem olhar e não poderá mais voltar. Taí...nas suas mãos...ao seu alcance, mas vc só se queixa: saudades, desamor, uma relação que está uma merda e só vc não vê, ou, PIOR, vê e não tem coragem de definir. Ou estará boa, mas vc tb não consegue ver? TIRE A VENDA QUE COBRE SEU OLHAR DE ALMA, pessoa!!! PARE de se sentir tão infeliz!!! Vc É FELIZ e não sabe!!!O que teme? Mude algo em si!!! Ocupe seu tempo pensando em si mesmo de uma forma legal, positiva.

FAÇA ALGO POR VC!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

SE EU PUDESSE RECOMEÇAR

Se eu pudesse recomeçar a minha história,
Mudaria algumas coisas, sim.
Mas não chorarei os pores-do-sol que perdi,
Nem lamentarei as escolhas feitas,
Também não repudiarei os encontros permitidos,
Muito menos sofrerei pelas decisões que não tomei.
Mudaria, sim, a forma de olhar a vida.
Desviaria meu olhar das dores mal sentidas,
Diria mais “não” e dormiria tranquila por isso.
Jamais me culparia por atitudes ou resultados.
Tudo tem seu momento de acontecer.
Por isso, não teria pressa, nunca!
Gargalharia mais e deixaria o vento bater nos meus cabelos desordenando-os.
Se eu pudesse recomeçar a minha história,
Romperia tabus e beijaria outras bocas.
Não me contentaria com sonhos,
Buscaria realidades.
Não obedeceria tão cegamente,
Desarrumaria a ordem natural das coisas.
Se eu pudesse recomeçar a minha história,
Seria Rozana, com “Z”!
Amaria na mesma intensidade, sofreria pelas mesmas razões,
Acolheria os mesmos amigos,
Cantaria as mesmas canções,
Diria as mesmas frases,
Acreditaria no mesmo Deus,
Receberia minhas filhas com a mesma intensidade,
Amaria com a mesma verdade,
Escolheria a mesma profissão,
Porque minha vida foi inteira,
Nada vivi pela metade,
Mas aprendi, sobrevivi, amei,
Cantei, lastimei, me rasguei inteira na dor,
Conheci o grito do silêncio,
Adormeci com o silêncio da canção.
Assim “escrevinhei” minha história.
Gargalho com intensidade, sem medo
E o mundo ouve o eco do meu riso,
Percebe a força do meu olhar,
Recua diante do meu grito
E sigo, sem olhar para o que ficou,
Porque meu nome é sorriso,
Minha força é o meu olhar
E o meu amanhã chama-se ESPERANÇA .
Rozana Pires
15/09/2010

domingo, 1 de agosto de 2010

Viver é Administrar Saudades

Mais uma vez a vida me obriga a parar para recomeçar.
Fico me perguntando quantos “recomeços” terei ainda que enfrentar.
Fico me perguntando quantas vezes ainda terei que acenar
Na esperanças de ver o passado voltar.
As lágrimas caem fácil e só elas me confortam
Só elas me aliviam o coração.
Ninguém imagina a dor que sinto agora
Sei que todos dirão: pior não é a morte?
Pior não é a doença, a solidão?
Pior não é a condenação de um leito doente?
Pior não é o abandono?
À merda o que é pior...
Quem pode medir o nosso sentimento?
Quem pode determinar o que seja melhor ou pior?
Bem sei o que seria pior que a partida com esperança de retorno,
Bem sei...
Mas não importa. O pior agora é o adeus.
Amigos que se vão e deixam marcas,
Filhos que se vão para seguirem seus destinos,
A gente que fica, na esperança de um amanhã.
A história se fecha, para mim, em mais um capítulo.
Isso é o pior. Pronto!
Que ninguém me venha dizer o que seria pior. Eu sei...
Mas que a vida me permita chorar muito.
Chorar a minha saudade,
Chorar a minha tristeza de não ter condições financeiras para fazer outro capítulo,
Chorar por querer proteger e não mais poder.
Chorar por não se capaz de fingir que está tudo bem, que vai passar.
Dany vai voar para fazer a história dela
Construir a família dela
E eu passo a ser “o outro lado”
Passo a ser a lembrança de uma infância alegre, até feliz.
Passo a ser a gratidão e a preocupação.
Hora de ficar para trás.
Viver é administrar saudades.
Assim caminha a humanidade...
Rozana 01/08/2010

sábado, 17 de julho de 2010

VEM AÍ...A COPA 2014...

Tive a oportunidade de assistir ao filme institucional da Copa do Brasil, em 2014: O Apito. Um comercial lindíssimos a que poucos assistiram. Algumas pessoas, no entanto, costumam aproveitar-se da criação do outro para fazerem a sua "revolução" particular. Isso também é normal por aqui. Por essa razão, escrevo, respondendo a todos os que criticam o referido vídeo, por acharem que seja "...uma grande mentira, na medida em que não retratar a realidade do país..." o seguinte:

Li alguns comentários e, como também sou da década de 70 e participei de passeatas, grêmios e corri muito de polícia, devo ressaltar que a arte tem que estar acima de tudo. O que está em jogo é a criação ali apresentada. Se vamos fazer política, se vamos combater a violência, se vamos pôr fim a uma politicagem barata, então...VAMOS! Mas não é criticando a Copa que virá, que já é uma realidade, que iremos mudar a ordem infeliz das coisas. Bem...a propaganda não reflete a realidade,eu sei, mas pergunto: quem iria criar um comercial de um produto, mostrando a banda podre, mostrando o lado sombrio e nefasto? Não vende, companheiros!!!! Se achamos que não é por aí, quem é da década de 60, 70, sabe qual é o caminho. E o caminho NÃO é ficar indo contra este ou aquele comercial, mas é ir à luta!!! Como? Votando certo, indo às ruas, abraçando causas, enfim...participando, no real, mas não comodamente, só criticando, achando ruim, querendo que nada disso esteja acontecendo, tentando revolucionar ou conscientizar APENAS no virtual. De que adianta, apenas, tentar macular ou embaçar a criação do outro e NADA fazer de concreto para tentar mudar as coisas? Será que os que criticam o comercial podem impedir que a Copa aconteça ou mesmo podem tirar o comercial do ar só por achar que ele está "fantasioso"? Será que esses "revolucionários" têm consciência do que isso irá gerar em termos de trabalho informal? De quantos irão ganhar? Ah!!! A elite vai se beneficiar!!! Claro!!!! E daí?!!! Mas o cara lá, que vai colocar a sua barraquinha na calçada e vender, também!!! Que tal vocês tirarem proveito (De forma ética!!!) e pensar em fazer algo? A ordem agora é a COPA de 2014, mas não se esqueçam: vêm eleições por aí! Busquem informações sobre seus candidatos, conheçam-nos. Use o tempo que tiverem, não para ficar colocando defeito no trabalho alheio, mas para ter um voto, realmente, consciente. Quem sabe, pondo os fichas-sujas para fora do Senado, Planalto, enfim...não tenhamos, um dia, um comercial mais verdadeiro? Aí a Copa nem precisará ser aqui! Vamos tentar o Hexa!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

SOBRE A JUVENTUDE

Educadores de todo o país (talvez do mundo!) têm buscado respostas ou mesmo tentado entender o que se passa com a família moderna. O que mudou, porque e quando, exatamente. Essa busca tem, sem dúvidas, uma razão de ser: entender o jovem do novo séc. Não são menos interessantes do que os do meu tempo, tampouco são menos inteligentes, ou menos atraentes. Ainda sonham, criam expectativas, brincam, riem...No entanto, em meio a variadas formas de adquirir conhecimentos, quedam-se inertes diante da vida. Talvez tenham informações demais, saibam demais. Mas o fato é que não aprofundam nada. As informações chegam rápido, eficientes nas suas molduras, mas ficam por aí.
Há um estranho consenso entre os jovens do mundo moderno e, como se fosse um pacto, como se combinassem, de alguma forma, eis que surgem quatro, digamos, “jargões” que parecem ser algo orquestrado. São eles: “sei lá.”, “pelo menos”, “por mim” e, o pior de todos: “é assim mesmo”. O “sei lá” Infere total despreparo para a vida e suas armadilhas e eles usam a expressão como se fosse algo natural. Não saber talvez seja cômodo, não dói. Quem você acha que deva ser o nosso novo presidente? “Sei lá...”. Que dia é a apresentação do trabalho? “Sei lá!”. O “pelo menos” beira à mediocridade na existência. Um conformismo triste de quem já se vê como perdedor. Se tira nota baixa: “Pelo menos não fui eu sozinho...”; se tira uma nota 4,0, “...pelo menos não foi 3,0...!. O “por mim” já é o cúmulo da indiferença: Uma criança foi baleada enquanto brincava na laje da sua casa. ..“Por mim!...”. Sua mãe foi chamada ao Colégio. .. “Por mim!”...
Mas, pior, pior mesmo é ouvir um “É assim mesmo”! Nossa! A rua está imunda, um homem está fazendo xixi no poste, o cara está ouvindo seu som nas alturas depois das 10, um cara está espancando a mulher, uma criança foi estuprada pelo pai, um jovem foi morto por causa de um celular, o oceano está morrendo com o vazamento assassino, um delegado, aos 35 anos, morre quando dava uma entrevista, um menino de 2 anos fuma cigarros, uma criança de 12 anos porta uma arma...... “É assim mesmo!”. Enquanto isso, como educadora, vou tentando mostrar que a vida pode ser diferente, o mundo pode ser diferente, porque: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Mas está difícil. A hora não chega. Será que chegará? “Sei lá!”. E se não chegar? “Por mim!”. E se chegar tarde demais? “Pelo menos já aproveitei meu Carnaval.” E se não chegar nunca? Ah...deixa pra lá, é assim mesmo...”